Posso ouvir, de longe, aquilo que sussurra em meu ouvido, por escrito.
segunda-feira, 28 de julho de 2008
Correspondência
Posso ouvir, de longe, aquilo que sussurra em meu ouvido, por escrito.
segunda-feira, 7 de julho de 2008
Fluência
quarta-feira, 25 de junho de 2008
Paciência...
Um dia ouvi dizer que é preciso ter serenidade para aceitar as coisas que não podemos mudar.
Confesso: fingi que acreditei. E o que me aflige é conviver com essa farsa. Não acredito nas coisas que não podemos mudar, por isso não tenho paciência quando elas teimam em aparecer, fingindo que existem.
Para ser sincera - já que reclamei da minha mentira - só conheço uma coisa que não se pode mudar, que é perene, que é em si, que é essencial, eterna, e que pede de nós essa serenidade, essa aceitação, essa paciência. Ela, eu aceito, serenamente!
Curioso: os que mais pregam que as coisas que não podemos mudar existem, são os mesmos que afirmam piamente que essa única coisa que permanece para sempre não existe e não passa de um momento, de uma passagem, de uma transição.
Perdi a paciência!
Qual? Aquela que eu nunca tive?
Onde? Por causa de quem?
O que é que me impede de fingir que eu aceito? O que é que me faz descer do salto, do palco, sair do papel de quem aceita algumas coisas como imutáveis e passíveis de serem aceitas com serenidade?
Confissão: são aqueles que não mudam!
Eu não consigo me fingir paciente em relação aquilo que não muda. Eu tenho serenidade e paciência, sim, mas é para acompanhar a mudança, demore ela o quanto demorar, vá por qual caminho for...mesmo que mude para o pior... eu espero o dia chegar, serena e paciente! Degustando cada pedaço suculento da ansiedade que me acompanha...
Eu espero, desde que caminhando. Não me peça para esperar sentado; para ver o mundo sentado..."esperando a chuva passar..." Eu espero no movimento da dança, o tempo da fala de cada ator, a hora em que a formiga entrará em cena. Eu espero porque eu sei que as formigas andam em fila, e se comunicam antes de mudarem de direção... Eu espero porque eu sei que caiu uma peça de dominó lá atrás e demora alguns minutos até que efeito repercuta aqui. Mas eu não gosto de ver o jogo parado, de ficar ouvindo o silêncio dos que não tem nada a dizer... Eu gosto do silêncio que precede a fala, ou que paira depois do amor... com ele eu tenho toda a paciência que o mundo exige, que a vida e a alma pedem.
Paciência morta eu não tenho. Tenho paciência com a morte, sim, e com todo o nada que vem depois dela. Só ela é digna dessa serenidade, porque ela é a Morte, ela é o momento de ficar deitado para sempre, de não ser mais, de silenciar. Ela é bonita por causa da serenidade que ela contém. Eu não tenho paciência com os que tiram essa beleza dela, e a enchem de atividade: de toda atividade que uma vida em silêncio não conhecia.
O que ainda não morreu, por favor, que esteja vivo! Caso contrário, não vou fingir: eu não tenho paciência!
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segunda-feira, 16 de junho de 2008
Felicidade
quinta-feira, 5 de junho de 2008
Anunciação
terça-feira, 27 de maio de 2008
Na corda bamba
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Estava eu caminhando entre um compromisso e outro: aprender uma outra língua, organizar uma nova festa, fazer uma revolução - quando vejo que há muito que minha agenda é a mesma. Embora a capa mude a cada ano, o conteúdo é sempre o mesmo: eu estudo, eu organizo, eu tento revolucionar; entro em contato com o que é diferente, me divirto e tento revolucionar; eu aprendo, desaprendo, e tento...
Eu me senti sozinha e achei absurdo. Cada dia mais acompanhada, mais bem acompanhada, tão acompanhada que nem tenho tido tempo para as minhas companhias! Por que sentir-se sozinha? Porque quero justo a companhia daqueles que não estão mais aqui - eu sei quem são, sei onde estão e sei que estão longe. Só eles entenderiam o que eu quero - e preciso - dizer.
Daí eu penso que outros podem vir , não substituí-los, mas unirem-se a eles, serem novos na minha curta lista dos que entendem o que eu olho - porque com eles eu nunca precisei falar. Serem outros dentre os que eu amo com admiração e cumplicidade. Eu amei muitos outros, admirei outros tantos e fui cúmplice de alguns. Mas amar - sempre - com admiração e cumplicidade só a eles. E eles estão tão longe, seja no tempo, seja no espaço...
Então eu me sinto sozinha.
Mas é preciso continuar organizando, aprendendo, revolucionando... pois meu próximo compromisso me espera... E eu que há muito tenho querido ficar em silêncio, deixar que outros organizem a revolução ou que as coisas simplesmente continuem como estão... Aprender em silêncio. Não ter nem mesmo que organizar meu futuro ou que revolucionar a minha vida.
É difícil planejar tão longe deles. Porque embora os meus roteiros não coincidam com os deles eu tento sempre planejar que os nossos caminhos se cruzem outra vez. Mas eu sei que só nos meus caminhos eu encontro os meus amores cúmplices e admiráveis.
Se eu não amasse tanto, seria mais fácil caminhar, mas não teria o frio na barriga, não teriam os nós que a minha vida tem...eu não seria tão única e tão bamba.
Foi então que eu me senti na corda bamba, sem eles ou com eles - porque não houve tempo em que precisasse mais me equilibrar, senão aquele em que eu estive acompanhada dos meus amores - na corda bamba sempre. Eu só sou na corda bamba, na dúvida, no quase, no ponto de interrogação, nas reticências, na incerteza, no calafrio...nas várias perguntas.
Cheguei a mesma conclusão de Clarice, na impressão de que chegaria lá sozinha, ainda que ela não tivesse pensado essa frase antes. Será que eu chegaria a saber algo sobre mim sozinha, sem que alguém já o tivesse sabido antes? Isso eu nunca vou saber...
Eu não conheci a Clarice, mas a amaria com cumplicidade e admiração se a tivesse conhecido.
Meus amores, eu estou com saudade de vocês!